| O Centro Histórico de Salvador abrange o núcleo primitivo da cidade colonial e sua expansão geográfica até o final do século XVIII. Da Praça Municipal – aberta em meio á densa mata tropical pelo primeiro Governador-Geral Tomé de Souza, em 1549 – ao Largo de Santo Antônio Além do Carmo, campo de batalha onde se enfrentam soldados brasileiros e holandeses da Companhia das Índias Ocidentais em 1683, monumento da arquitetura civil, religiosa e militar compõe em cenário dos séculos.
Das Portas de Santa Luzia, que guardavam o limite sul da antiga cidade murada de taipa, ate as grossas paredes do Forte de Santo Antônio Alem do Carmo, vigilante contra invasores do lado norte, o Centro Histórico de Salvador, dividi-se em três áreas que podem ser conhecidas de uma só vez: da Praça Municipal ao Largo de São Francisco, o Pelourinho e do Largo do Carmo ao Largo de São Francisco. Vários prédios em ruínas do Centro Histórico passaram a ser recuperados, isoladamente, nos últimos 30 anos; porém, a partir de 1991, este trabalho teve um grande impulso com a revitalização de quarteirões inteiros de antigas residências, conventos e igrejas. É por isso que hoje existem mais de 800 edifícios com fachadas e interiores restaurados, dentre os quais alguns adaptados para novas funções devido á meta de revitalizar a área com fins culturais.
A área compreendida entre a Praça Municipal e o Largo de São Francisco começa, cronologicamente, no lugar escolhido pelo Governador–Geral Tomé de Souza para edificar os prédios do Governo Colonial e nos locais ocupados pelas ordens religiosas que vieram da Europa a partir de 1549. A Praça Municipal foi aberta por oferecer melhor proteção contra os ataques dos nativos e dos corsários por mar.
A Casa do Governador, o prédio da Câmara Municipal e outras construções foram feitos, inicialmente, em taipa e cobertas de palha e, com o passar do tempo, reedificadas em pedra, tijolo e cal. Hoje, os principais edifícios históricos que atraem as atenções dos visitantes são o Paço Municipal (concluído no fim de século XVII), o Palácio Rio Branco (construído no local da Casa dos Governadores em 1919)e o Elevador Lacerda, ampliado na década de 30. Seguindo na direção norte estão a Santa Casa e a Igreja de Nossa Senhora da Misericórdia, as fundações da antiga Igreja da Sé, demolida em 1933, e o Palácio Arquiepiscopal, antiga residência e local de trabalho do arcebispo primaz do Brasil. Vale ressaltar que a antiga Sé e outros quatro quarteirões de edifícios dos períodos colonial e imperial foram derrubados no inicio do século XVII ao XIX.
A Catedral Basílica – antiga Igreja dos Jesuítas - e as igrejas da Ordem Terceira de São Domingos e de São Pedro dos Clérigos são prédios que se destacam no Terreiro de Jesus, que tem no centro um belo Chafariz. No prédio da antiga Escola de Medicina, local ocupado originalmente pelo Colégio dos Jesuítas, estão os museus os museus Memorial da Medicina, de Arqueologia e Etnologia e o Afro-Brasileiro. O largo do Cruzeiro de São Francisco, praticamente uma extensão do Terreiro de Jesus, tem no centro um belo Cruzeiro e, ao fundo, o monumental conjunto religioso formado pela Igreja e Convento de São Francisco e a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco.
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Portas de Santa Luzia – O principal acesso a cidade fundada por Tomé de Souza em 1549 estava situado na atual Praça Castro Alves. Uma placa, colocada na lateral do Palácio dos Esportes, mostra sua posição na muralha que cercava o primeiro limite de Salvador.
Paço Municipal – Situado no fundo da mais antiga praça da cidade e considerado um dos mais importantes pontos de referência visual de Salvador, teve em 1549 sua primeira construção feita em taipa coberta por palha. Na Segunda metade do século XVII, porém foram demolidas as duas edificações existentes e finalmente, erguido o prédio atual – o qual mantém o aspecto renascentista original depois da retirada, em 1970, de um revestimento neoclássico colocado numa reforma feita no século passado. Com fachada principal de arcadas e colunas toscanas sobrepostas por janelas de púlpito, o prédio possui duas alas unidas por uma torre central recoberta por umas cúpula. No interior, um pequeno pátio remonta a tradição romana adotada em Portugal. O paço abriga a mais antiga Câmara Municipal do Pais.
Palácio Rio Branco – Erguido no inicio do século XX, o edifício tem estilo eclético e representa a Quarta versão arquitetônica do antigo Paço dos Governadores do período republicano (de 1889 aos dias atuais) e muitas obras de arte. A grande cúpula e o belvedere situado na ala com vista para o mar são referenciais na cidade. No seu interior, merece destaque a escadaria em ferro e cristal e uma escultura representando o fundador da cidade, Tomé de Souza.
Elevador Lacerda – Principal marco visual de Salvador, o ascensor teve sua primeira torre construída em 1873 passou a abrigar duas cabines de transporte de passageiros movidas por um sistema hidráulico. Inicialmente, chamado de Elevador da Conceição por estar situado próximo a Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, em 1930 herdou o nome de seu construtor, o engenheiro Antônio de Lacerda, e foi totalmente remodelado e ampliado num projeto arrojado para a época. Com quatro ascensores elétricos, o Elevador Lacerda é o principal acesso às Cidades Alta e Baixa e na sua parte alta proporciona uma vista panorâmica da cidade.
Santa Casa e Igreja de Nossa Senhora da Misericórdia – Iniciado em meados do século XVII, este conjunto levou mais de 200 anos para ser concluído. Com dois pavimentos e diversos níveis inferiores que acompanham a descida da Ladeira da Misericórdia, foi desenvolvido em torno de dois claustros quadrados – um deles posteriormente ocupado pela ampliação da ala do Hospital São Cristóvão, o primeiro da cidade – que fazem face com a lateral da igreja, onde merecem destaque duas casas sobrepostas e os painéis de azulejos representando as procissões dos Fogaréus e dos Ossos, que ocorriam, até o século XIX, durante a Semana Santa.
Igreja da Sé - Demolida em 1933 para a passagem dos bondes com destino ao Terminal da Sé, mostra hoje apenas suas fundações e achados da área de escavações. O antigo templo, com fachada voltada para o mar, era um dos edifícios religiosos mais belos e imponentes da cidade e se mantinha ligado ao Palácio Arquiepiscopal por uma passagem elevada. No local, existe um belvedere – que proporciona uma privilegiada vista da Cidade Baixa, da Península de Itapagipe e da Baía de Todos os Santos – e o monumento da Cruz Caída, que lembra a derrubada da Igreja e o desrespeito de uma época ao passado religioso, histórico e artístico da cidade.
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Palácio Arquiepiscopal – Construído na primeira metade do século XVIII em alvenaria de pedra, o solar serviu de residência do arcebispo primaz do Brasil até fins do século XIX. O prédio, de três pavimentos e quatro corpos de construção de igual altura, foi desenvolvido em torno de um pátio interno. Sua bela fachada possui um portal formado por pilastras que sustentam um frontão barroco do tipo usado em igrejas e palácios portugueses no século XVII.
Chafariz – O monumento foi colocado em pleno Terreiro de Jesus em meados do século XIX para servir o centro da cidade. Marco do sistema público de abastecimento de água de Salvador – até então feito pelas fontes e ribeirões da cidade -, o chafariz tem quatro estatuas que representam os maiores rios da Bahia: São Francisco, Paraguaçu, Pardo e Jequitinhonha – objetos da cultura do Museu afro-brasileira – Obras de arte africana e de temática afro-brasileira, como instrumentos musicais, esculturas, objetos e indumentárias sacras, fotografias e murais fazem parte do acervo do Museu, que apresenta em exposições permanentes os aspectos materiais e espirituais das civilizações africanas e os aspectos de culturas africanas na civilização brasileira. Documentos escritos e obras de arte erudita e popular também incluem-se nas exposições temporárias do museu.
O Pelourinho é uma área que abrange um dos mais antigos bairros de Salvador e mostra a expansão da cidade nos séculos XVII e XVIII. Tombados pelo IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e considerado pela UNESCO com Patrimônio Cultural da Humanidade, o Pelourinho é ocupado por antigos casarões de poderosas autoridades do Governo, ricos senhores-de-engenho e nos próprios comerciantes. A Igreja de Nossa Senhora dos Rosários dos Pretos reafirma na cidade a devoção iniciada pelos padres dominicanos na costa africana e compõe o cenário do Largo do Pelourinho, que remete o visitante a uma era de riquezas e ostentação. Alguns edifícios do Pelourinho, como o Solar do Ferrão, abrigam alguns dos mais importantes museus da cidade, como o Museu Abelardo Rodrigues, a Fundação Casa de Jorge Amado, o Museu da Cidade, o Museu das Portas do Carmo e o Museu Tempostal.
Igreja de Nossa Senhora dos Rosário dos Pretos – Iniciada em 1704 pela Irmandade dos Homens Pretos do Pelourinho, a construção do templo durou quase um século. A devoção dos negros à Nossa Senhora do Rosário é obra dos padres dominicanos da África e chegou a cidade com os escravos. Sua fachada apresenta torres com terminações em bulbo, revestidas de azulejos com cenas relativas a devoção ao Rosário de Lisboa.
Solar do Ferrão – Edifício formado pela fusão de dois casarões no final do século XVII, foi sede do Seminário dos Jesuítas e do Circulo Operário. Atualmente, nele funcionam a sede do IPAC – Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia e o Museu Abelardo Rodrigues, cujo acesso é feito através de uma ampla e bela escada em mármore português.
Museu Tempostal – Instalado num casarão recuperado do Pelourinho, reúne fotografias e a maior coleção particular de postais do País, com exemplares vindos de todas as partes do mundo entre os séculos XIX e XX.
Museu Abelardo Rodrigues – Com a maior coleção de imagens de santos do Nordeste, o museu expõe objetos religiosos oriundos de residências rurais e urbanas dos séculos XVII, XVIII e XIX.
Fundação Casa de Jorge Amado – Um centro documental da vida e obra do escritor baiano Jorge Amado, expõe fotografias, livros e teses sobre a bibliografia do mais conhecido romancista baiano.
Museu da Cidade – Com objetos representativos da cultura da cidade nos seus 450 anos, apresentando como destaques a cadeira da ialorixá Mãe Menininha do Gantois e as esculturas dos Orixás do Candomblé.
Museu das Portas do Carmo – Exposição de um trecho do antigo “Castelo das Portas do Carmo”, no limite norte de Salvador, parte da muralha que cercava a cidade no século XVII e algumas peças de armaria antiga.
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| A área entre o Largo do Carmo e o Largo de Santo Antônio Além do Carmo mostra a expansão da cidade a partir do século XVII e tem como principal monumento o conjunto religioso formado pela Igreja e Convento de Nossa Senhora do Carmo e pela Igreja da Ordem Terceira do Carmo. As igrejas do Santíssimo Sacramento na rua do Passo – com sua monumental escadaria de acesso – da Ordem Terceira de Nossa Senhora da Conceição do Boqueirão e de Santo Antônio Além do Carmo merecem atenção pela beleza de suas fachadas e interiores. O Oratório da Cruz do Pascoal é uma construção pitoresca situada no meio de um largo da rua de Santo Antônio Alem do Carmo, baluarte da defesa da antiga cidade pelo lado norte.
Igreja do Santíssimo Sacramento – Iniciada em 1736, possui azulejos portugueses e trabalhos em talha neoclássica em seu interior. A monumentalidade do edifício é realçada pela escadaria situada em frente, que liga a Ladeira do Carmo a rua do Passo.
Igreja da Ordem Terceira do Carmo – Reconstruída em 1788 sobre as fundações do templo original, destruído por um incêndio em 1786, esta igreja possui fachada rococó e interior em estilo neoclássico.
Igreja e Convento de Nossa Senhora do Carmo – Erguido no inicio do século XVII, ainda ora dos primeiros rumos da cidade, o conjunto é formado por uma igreja e um convento de dois claustros. O interior do templo é neoclássico e seu altar mor apresenta um belo frontão em prata. A sacristia, decorada em talha barroca e rococó, merece uma visita. No seu interior localiza-se o Museu de Arte Sacra do Carmo, que destaca a escultura em madeira “Cristo atado à coluna”.
Oratório da Cruz do Pascoal – Erguido em meados do século XVIII como testemunho de fé do português Pascoal Marques de Almeida, este pitoresco monumento religioso é formado por uma coluna toscana e um nicho inspirado nas torres das igrejas do século XVIII. O oratório é quase que inteiramente revestido por azulejos azuis e brancos, onde se encontra a imagem de Nossa Senhora do Pilar. No século XIX, o monumento foi cercado com gradil de ferro para se manter protegido.
Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora da Conceição – Situado em frente ao Largo do Boqueirão, teve sua construção iniciada em 1727. Sua fachada possui duas torres terminadas em bulbo e frontão rococó revestidos por azulejos brancos. A decoração interna em talha dourada é neoclássica e o forro da nave é concebido em perspectiva barroca, de inspiração italiana.
Igreja de Santo Antônio Alem do Carmo – Reconstruída em 1813 no lugar de um primitivo templo, apresenta fachada rococó, uma torre única e interior em talha neoclássica. A igreja esta situada no largo de mesmo nome, o qual apresenta um coreto típico do século XIX e um belvedere com vista para a Cidade Baixa, a Península de Itapagipe e a Baia de Todos os Santos.
Forte de Santo Antônio Alem do Carmo – Erguido na Segunda metade do século XVII para proteger o acesso norte da cidade, esta fortificação foi feita no local onde se situavam as antigas trincheiras, que serviram à invasão de Salvador pelos soldados da Companhia das Índias Ocidentais, em 1638.
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